Ferro na nutrição parenteral: por que é seguro e necessário?
O ferro é um oligoelemento essencial para o corpo humano e sua deficiência está relacionada a diversos sintomas, podendo impactar a qualidade de vida significativamente. Por isso, seu monitoramento e reposição, quando necessária, são adotados com frequência na prática clínica.
No caso do ferro parenteral, administrado por via endovenosa, o uso está indicado para situções mais específicas, que estão relacionadas à intolerância do paciente à ingestão por via oral ou à gravidade do quadro em que ele se encontra.
Neste artigo, vamos mostrar os principais usos do ferro na nutrição parenteral, bem como sua importância e segurança.
Funções do ferro no organismo
O ferro desempenha papel fundamental na estrutura e função da hemoglobina, atuando no transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos metabolicamente ativos. Além disso, o ferro está presente em outras estruturas e atividades do organismo, como:- na mioglobina, um depósito intracelular de oxigênio;
- nas enzimas do citocromo da cadeia de transporte de elétrons mitocondrial;
- no citocromo P-450, que está envolvido no metabolismo de drogas e outros materiais estranhos;
- na catalase e na peroxidase, que previnem danos celulares mediados por radicais livres;
- em várias outras enzimas envolvidas no metabolismo energético, tais como nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato desidrogenase reduzida.1
Deficiência de ferro
Quando a ingestão por meio da alimentação é insuficiente, quando a capacidade de absorção do ferro pelo sistema digestivo está comprometida ou quando há hemorragias significativas ou outras situações que provoquem a perda de ferro, pode haver deficiência do nutriente. A deficiência afeta pessoas em todas as fases da vida, mas é mais prevalente em alguns grupos. Confira a seguir.- Pessoas saudáveis:
- mulheres em idade fértil – devido a sangramento menstrual excessivo;
- mulheres grávidas – devido à maior demanda para o desenvolvimento do feto;
- crianças com menos de 2 anos de idade – como outros elementos traço, o ferro é necessário para o crescimento, desenvolvimento e saúde das crianças.2
- Pessoas com patologias crônicas que causam hemorragia gastrointestinal, como gastrite erosiva, úlceras gástricas, pólipos, divertículos intestinais ou câncer de cólon.
- Pessoas com doenças autoimunes, crônicas ou inflamação.
Usos do ferro parenteral
Tendo em vista a importância do ferro para o bom funcionamento do organismo e os impactos sobre a saúde provocados em caso de deficiência, o objetivo da terapia de reposição de ferro é restabelecer os estoques do nutriente e restaurar os níveis de hemoglobina4. Em muitos casos, pode ser necessária a administração do ferro por via intravenosa, pois, dessa forma, ele não precisa ser absorvido pelo intestino e é entregue diretamente ao sistema circulatório, ajudando a formar os glóbulos vermelhos mais rapidamente do que o ferro oral5,6. A prescrição do ferro parenteral é adequada para pacientes que se encontrem em situações específicas:- não toleram ou não respondem ao uso oral de ferro;
- apresentam doenças crônicas como doença inflamatória intestinal, câncer ou doença renal crônica;
- dependem de nutrição parenteral de forma contínua;
- necessitam de reposição rápida de ferro.4,7
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Por que o ferro parenteral é necessário?
Como vimos, o ferro parenteral é útil em diversas situações. É importante entender que seu uso, quando bem indicado, pode trazer resultados clínicos importantes. De acordo com um artigo publicado no Journal of Obstetrics and Ginecology Canada, por exemplo, o ferro parenteral vem se mostrando como uma modalidade de tratamento mais bem tolerada, se comparado à suplementação oral e/ou transfusão de sangue, para tratar mulheres que apresentam hemorragia no pós-parto. Nesse caso, comparado à suplementação oral, o ferro parenteral está associado a um aumento mais rápido da ferritina e da hemoglobina séricas, bem como aos parâmetros de fadiga materna. Adicionalmente, a administração intravenosa de ferro pode diminuir as taxas de transfusão de sangue.10 Outro estudo avaliou a efetividade do uso de ferro endovenoso, em diversas apresentações, na normalização da hemoglobina usando um grande banco de dados dos EUA e encontrou bons resultados (com variações de acordo com o produto utilizado) nos pacientes que receberam as infusões.4 De forma geral, o ferro parenteral é o método mais conveniente para pacientes que sofrem perdas contínuas, como sangramento uterino intenso, sangramento gastrointestinal, síndromes de má absorção e cirurgia de by-pass gástrico ou síndrome de Osler-Weber-Rendu (telangiectasia hemorrágica hereditária).11Segurança do ferro parenteral
O uso do ferro pela via parenteral é amplamente realizado em diversos países, incluindo o Brasil, por ser uma opção não apenas eficaz, mas também segura. Diversos estudos relatam a segurança, facilidade, conveniência e eficácia de doses de reposição completas ou quase completas de ferro intravenoso administradas em um único ambiente (infusão de dose total durante 15 a 60 minutos). Ao contrário das preparações orais, que podem provocar efeitos colaterais desagradáveis como constipação, gosto metálico, cólicas gástricas e diarreia, os eventos adversos relacionados com ferro intravenoso são menores, menos frequentes e de curta duração.11 Existem estudos que relatam risco de choque anafilático. Entretanto, essa reação está relacionada ao ferro dextrano – sal de ferro que não está presente nas formulações disponíveis no Brasil. As novas apresentações do ferro são especialmente caracterizadas por possuírem estrutura livre de dextrano.12 O estudo The Safety of Intravenous Iron Preparations: Systematic Review and Meta-analysis demonstrou que as formulações de ferro parenteral são tão seguras que devem ser considerados como uma alternativa às transfusões de glóbulos vermelhos. De acordo com a pesquisa, as transfusões de hemácias estão associadas a eventos que causam morbidade importante em 1 em 21.413 pacientes, enquanto o ferro intravenoso, por outro lado, está associado a uma incidência estimada de anafilaxia de menos de 1 em 200.000. 3,14 Pode te interessar: Como é administrada a nutrição parenteralComo evitar complicações
Como em qualquer outra terapia, é importante monitorar eventuais efeitos adversos no paciente que recebe ferro parenteral. Alguns efeitos colaterais que podem surgir são rubor, dor de cabeça, dores musculares e articulares, tontura, náusea, erupções cutâneas, dor e inflamação no local da injeção, febre, calafrios ou queda na pressão arterial. Reações de infusão são raras, geralmente leves e, mesmo que ocorram, a administração da droga pode continuar sendo feita a uma velocidade de infusão menor. Pacientes com histórico de asma, eczema, alergias atópicas, reação prévia de hipersensibilidade leve à moderada a qualquer droga e/ou doença inflamatória sistêmica em atividade devem ser pré-medicados com hidrocortisona.11 Gostou desse artigo? Leia mais sobre Nutrição Parenteral aqui.Referências
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