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Óleo de peixe e seu papel nutricional no paciente crítico

O óleo de peixe (FO) é reconhecido por sua riqueza em ômega 3 (ω3), composto lipídico formado pelo ácido alfa-linolênico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosa-hexaenoico (DHA). Todos eles fazem parte do grupo de ácidos graxos poli-insaturados, que passou a ser mais abundante em emulsões lipídicas (EL) a partir dos anos 2000, quando foi incorporado a elas o óleo de peixe (FO).

Em razão da riqueza de EPA e DHA no FO, que têm potencial imunomodulatório e efeito benéfico em processos inflamatórios e desenvolvimento de resposta imune, pesquisadores passaram a avaliar os benefícios que a inclusão do ômega 3, via introdução de óleo de peixe na dieta, poderiam gerar aos pacientes em estado crítico.

É o que você verá, a seguir, neste artigo. Basta continuar a leitura!

Recomendações de lipídios em pacientes críticos

A European Society for Clinical Nutrional an Metabolism (ESPEN) aponta um estudo em que pacientes pediátricos que receberam emulsão lipídica (EL) de óleo de peixe puro não desenvolveram, após meses, deficiência de ácidos graxos essenciais (estudo 192 da ESPEN)). De acordo com a ESPEN, a administração pode ocorrer via enteral ou parenteral, associada a carboidratos.¹.

Contudo, ainda segundo a ESPEN, a absorção de lipídios é prejudicada em pacientes com doenças críticas, uma vez que o metabolismo fica modificado nessas situações. A entidade alerta, portanto, que a administração de quantidades elevadas de carboidratos e de lipídios pode levar à hiperglicemia e causar anormalidades no fígado. Sendo assim, a recomendação é de monitoramento rigoroso de triglicerídeos e testes de função hepática para orientar o médico no estabelecimento da melhor proporção carboidrato/gordura.¹

Estudos sugerem benefícios clínicos do uso de óleo de peixe em pacientes críticos

Com objetivo de avaliar evidências de estudos laboratoriais e com animais que demonstravam benefícios clínicos do uso de EL intravenosa contendo FO, pesquisadores de universidades na Turquia, Nova Zelândia, Uruguai e Estados Unidos realizaram revisão para observar os efeitos benéficos sobre inflamações e resposta imune entre aqueles que receberam óleo de peixe.

Para tal, foram avaliados 34 estudos clínicos, com considerações sobre níveis de marcadores inflamatórios e resposta imunológica; taxas de infecção e sepse; e, ainda, resultados clínicos gerais2.

Os resultados mostraram algumas evidências de que EL contendo óleo de peixe foi capaz de reduzir a taxa de fibrilação atrial pós-operatória2. No entanto, ao observar níveis de marcadores inflamatórios e imunológicos, as evidências foram conflitantes. Os estudos também relataram poucas diferenças entre resultados clínicos e taxas de infecção e sepse comparando o uso de óleo de peixe com outras emulsões intravenosas. Para os pesquisadores, as revisões sugerem benefícios do uso de óleo de peixe, mas evidências falhas nos estudos incluídos demonstram a necessidade de artigos de mais qualidade que fortaleçam a prática clínica.

Ômega 3 e risco de sepse: achados de meta-análise

Uma análise mais recente de pacientes adultos com sepse e uso de ômega 3 revelou que o uso de suplementação com os ácidos graxos pode ser associado à redução da mortalidade³.. Veja os achados da meta-análise na figura!

 

EPA, DHA e risco de doença arterial coronariana

Corroborando os indícios de que o uso de ômega 3 poderia beneficiar pacientes com risco cardíaco, a Sociedade Brasileira de Cardiologia em seu documento de posicionamento sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular apresenta meta-análise recente de estudos prospectivos de coorte para verificar a associação entre o consumo de EPA, DHA e o risco de doença arterial coronariana (DAC). Os resultados demonstraram benefícios significativos principalmente na população com alto risco cardíaco, com redução do risco coronário de acordo com elevação do consumo de EPA+DHA. “Em um ensaio randomizado com paciente com DAC, a suplementação com aproximadamente 1,5 g/dia de ácido graxo ω3 por dois anos provocou menos progressão e mais regressão da aterosclerose coronariana, medida por angiografia invasiva quantitativa, em relação ao uso de placebo, embora as diferenças tenham sido pequenas. 4

 

O que diz quem recomenda o uso de ômega 3 em pacientes críticos!

Pesquisadores do Departamento de Cirurgia e Gastroenterologia da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos Estados Unidos, por outro lado, afirmam que a fórmula ideal para o paciente em ambiente de terapia intensiva deve ir além do que é considerado tradicionalmente (fórmula padrão polimérica, via enteral, para os que toleram, de 1,0-1,5 kcal/mL). De acordo com os pesquisadores, há evidências de que quando selecionados de maneira específica, nutrientes como EPA e DHA, além de arginina, leucina, glutamina e antioxidantes, podem gerar benefícios, a pacientes que recebem dieta enteral, que incluem redução de tempo na UTI, menos dias em ventilação mecânica, melhora de resposta metabólica ao estresse, resolução precoce de processos inflamatórios, menores taxas de infecções sistêmicas na corrente sanguínea e redução da mortalidade, em alguns casos5.

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