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Vantagens no uso de diferentes aminoácidos na nutrição parenteral.

O fornecimento de aminoácidos é um dos fatores mais importantes no suporte nutricional a pacientes que dependem de terapia parenteral. Existem diversos tipos de aminoácidos, que exercem funções específicas no organismo. Neste texto, vamos entender como eles se dividem e como podem ser usados para as diferentes necessidades dos pacientes que precisam de nutrição parenteral.

Papel dos aminoácidos no organismo

Os aminoácidos são as unidades estruturais das proteínas, que sustentam processos químicos vitais. Entre as funções que eles desempenham no organismo, podemos destacar1:

 

  • Construção de músculos, órgãos, glândulas, ligamentos, tendões, unhas, cabelos e ossos;
  • Hormônios e enzimas;
  • Regulação de vias metabólicas fundamentais para a imunidade, reprodução, manutenção e crescimento (papel exercido pelos aminoácidos funcionais: arginina, cisteína, glutamina, leucina, prolina e triptofano);
  • Única fonte de nitrogênio;
  • Preservação da estrutura celular, cicatrização de feridas, herança enzimática e hormonal, já que não temos estoque no organismo e dependemos das proteínas externas em quantidade e qualidade para compensar as perdas diárias.

 

Os aminoácidos se dividem entre2:

  • Aminoácidos essenciais: não são sintetizados pelo organismo e, portanto, precisam ser consumidos.
  • Aminoácidos não essenciais: são sintetizados a partir de moléculas de carboidratos intracelulares e grupos amina.
  • Aminoácidos semi-essenciais ou condicionalmente essenciais: podem ser sintetizados a partir de outros aminoácidos em certas circunstâncias, mas sua síntese é limitada.

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Papel dos aminoácidos na nutrição parenteral

A deficiência de proteína e energia é comum em pacientes hospitalizados e naqueles que apresentam estado crítico. Além disso, muitas doenças e tratamentos alargam significativamente as necessidades de proteína do organismo ou provocam um aumento patológico do catabolismo (consumo) de proteínas musculares. São exemplos de situações em que isso ocorre a terapia com altas doses de glicocorticoides e a resposta inflamatória sistêmica à sepse e a grandes traumas.3

Como consequência desses quadros, pacientes hospitalizados podem sofrer atrofia muscular generalizada. Essa alteração é debilitante, difícil de reverter e representa uma ameaça à vida.3

Assim, a nutrição parenteral busca oferecer quantidades significativas, mas não tóxicas, de proteínas, sendo ferramenta importante no alcance desse objetivo.3

Nos pacientes em nutrição parenteral, a ingestão de proteínas é atendida pelo fornecimento de soluções estéreis intravenosas de aminoácidos livres. As soluções padrão contêm aminoácidos essenciais, alguns aminoácidos não essenciais e, ocasionalmente alguns aminoácidos semi-essenciais.1

Essa composição busca fornecer ao organismo os elementos necessários para o balanço energético e proteico, além de atingir a quantidade necessária de nitrogênio.1

Em situações clínicas específicas (ex.: erro no metabolismo de algum aminoácido), recém- nascidos prematuros e pacientes críticos, soluções especializadas podem ser necessárias.6

 

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Aminoácidos de destaque

O aumento de massa muscular esquelética requer uma quantidade efetiva de aminoácidos essenciais, principalmente leucina, isoleucina e metionina, que, em dose adequada, desencadeiam uma resposta anabólica e, portanto, o crescimento muscular.1

Entre os aminoácidos não essenciais, parece que a contribuição específica de cada um desses aminoácidos nas formulações parenterais é menos importante que a quantidade total de nitrogênio que, juntos, eles fornecem.3

Alguns aminoácidos se destacam por seu papel na nutrição dos pacientes que dependem da terapia parenteral. Confira a seguir.

 

Tirosina

A tirosina se torna essencial para órgãos e tecidos que não possuem a fenilalanina hidroxilase, enzima que converte a fenilalanina em tirosina. Assim, a adição de tirosina a outros aminoácidos essenciais melhoraria a eficácia de sua síntese.1 A concentração de tirosina em misturas de aminoácidos é limitada por sua baixa solubilidade, porém, como colocado anteriormente, ela pode ser sintetizada a partir da fenilalanina. Se a oferta de fenilalanina for suficiente e o paciente que estiver com balanço nitrogenado neutro ou negativo e com a conversão de fenilalanina em tirosina desimpedida, a necessidade de tirosina será atendida apenas pela fenilalanina3.

 

Cisteína

A cisteína é importante porque reduz significativamente a toxicidade da metionina1,7. Ela também é um substrato importante para a glutationa, um tripeptídeo (ácido glutâmico, cisteína e glicina) com importantes propriedades antioxidantes e para a manutenção do potencial redox e da homeostase do cálcio2.

 

Taurina

Segundo a Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (Espen), apesar de não se tratar de um aminoácido típico, a taurina deve fazer parte das soluções de aminoácidos para lactentes e crianças em nutrição parenteral. Isso porque a deficiência de taurina pode contribuir para a formação de colestase (retardamento ou interrupção do fluxo nos canais biliares)2 e disfunção da retina.8

 

Arginina

A suplementação de arginina pode ser usada em recém-nascidos prematuros, pois ela contribui para a vasodilatação e a homeostase da glicose e ajuda a prevenir a enterocolite necrosante. Além disso, a arginina pode estar relacionada à imunidade desses bebês.2,9

 

Glutamina

Quando utilizada pela via parenteral, nas concentrações de 0,3 a 0,5 g/kg/ dia e, no máximo, de 30% do nitrogênio total prescrito, a glutamina reduz a incidência de complicações infecciosas, tempos de internação na UTI e no hospital, tempo de ventilação mecânica e taxa de mortalidade hospitalar. Esses valores foram apresentados em estudo sistemático de ensaios clínicos randomizados publicado na revista Clinical Nutrition, da Espen.4 Entretanto, o uso parenteral de glutamina está contraindicado em pacientes com disfunção orgânica múltipla, disfunção renal, disfunção hepática ou instabilidade hemodinâmica.5

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