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Veja quais são os cuidados no manuseio da nutrição parenteral

O fornecimento de nutrientes via parenteral é parte essencial na atenção aos pacientes em condições críticas e que não podem receber alimentação pela via enteral. No entanto, tal prática permanece como um desafio para os responsáveis pelo manejo da condição nutricional, uma vez que são vários os cuidados no manuseio da nutrição parenteral (NP).

Diante disso, entre os aspectos principais para garantir que esse suporte cumpra seu propósito, estão a correta avaliação do estado clínico e nutricional do paciente, a escolha da via de infusão e o acompanhamento de possíveis complicações, entre outros aspectos.

 

As indicações da nutrição parenteral

A nutrição parenteral é indicada para pacientes com quadros de desnutrição e que não toleram a nutrição por via oral e/ou enteral. Tais condições de desnutrição podem ser provenientes da inanição ou de doenças agudas ou crônicas1.

Muitas dessas doenças ou mesmo traumas geram respostas inflamatórias que alteram o metabolismo do corpo. Isso resulta em maior consumo de energia, no catabolismo muscular e em mudanças no balanço eletrolítico.  Portanto, nesses casos será necessário fornecer fontes adicionais de energia e de nutrientes ao paciente.

De todo modo, caso a alimentação oral seja inviável, a nutrição enteral deve ser sempre a prioridade, a menos que haja contraindicação. Entre as principais 9:

 

  • Traumas e obstruções intestinais;
  • Hemorragia gastrointestinal;
  • Instabilidade hemodinâmica;
  • Inflamações e infecções gastrointestinais;
  • Problemas na absorção de nutrientes;
  • Fístulas no intestino delgado;
  • Vômitos e Diarreias Intratáveis;
  • Síndrome do Intestino Curto;
  • Choque severo;
  • Volume residual gástrico > 400 ml/24h

 

Portanto, a nutrição parenteral é indicada nas situações em que o trato intestinal não funciona de forma adequada ou haja traumas graves que impeçam a alimentação via oral ou enteral.

Por isso, é importante que uma equipe multidisciplinar avalie o estado clínico do paciente, incluindo sua condição nutricional, assegurando a melhor decisão pela vai de nutrição.

 

Técnicas de infusão: administração venosa central ou periférica

Um dos cuidados no manuseio da nutrição parenteral envolve a definição da técnica de infusão, determinando se ela será feita por administração venosa central ou periférica.

Uma escolha adequada e consciente aumenta as chances de sucesso da terapia e reduz o risco de complicações, além de ser fundamental para a saúde e o bem-estar do paciente. Tal avaliação envolve algumas variáveis que devem ser consideradas como o período da manutenção da NP, o local de administração (em ambiente hospitalar ou domiciliar), o volume necessário, a composição e a concentração da solução utilizada8.

 

Acesso venoso central

O acesso venoso central deve ser priorizado em terapias de nutrição parenteral de média e longa duração. Normalmente, períodos superiores a 15 dias são considerados de longa duração2. Os locais de inserção percutânea mais comuns são as veias subclávias, jugulares internas e femorais.

As vantagens do acesso central envolvem uma menor limitação ao tipo, ao PH, a osmolaridade e o volume da infusão1. Devido ao risco maior de infecções, o procedimento de inserção do cateter deve ser feito seguindo rigorosos protocolos de assepsia.

Uma alternativa ao cateter central, incluindo as opções semi ou totalmente implantáveis, é o PICC (peripherally inserted central catheters). Esse é o meio indicado principalmente para a pediatria e para NP em ambiente hospitalar e até domiciliar, ainda que alguns estudos mostrem associação a um maior risco de infecções relacionadas à manipulação do cateter, outras publicações mostram o inverso4,5.

Ele é introduzido perifericamente por via percutânea até a veia cava superior. As vias escolhidas para esse procedimento são a cefálica, a basílica e a cubital média1,5.

 

Acesso venoso periférico

A via vascular periférica é o método mais seguro e fácil de inserção do cateter. Todavia, ele é indicado apenas para períodos curtos para a utilização com soluções de baixa osmolaridade (de até 850 mOsm/L)5.

A inserção pode ser feita com um auxílio de um dispositivo para infusão intravenosa (scalp) nas extremidades da parte superior do corpo. Nessa opção são menores as chances de infecções relacionadas ao cateter, embora a literatura aponte um risco maior de tromboflebite6.

 

As possíveis complicações da nutrição parenteral

As complicações relativas à nutrição parenteral podem se dar tanto pelo manejo do cateter na via de inserção, quanto por questões envolvendo parâmetros nutricionais e metabólicos. Logo, as principais complicações associadas a essa terapia são 1,7:

 

  • Problemas vasculares;
  • Hiperglicemia;
  • Síndrome de realimentação;
  • Complicações tromboembólicas, renais, hepáticas e biliares;
  • Infecções;
  • Doença metabólica óssea.

 

Apesar disso, a maioria das complicações mencionadas pode ser prevenida com a escolha adequada da via de acesso, a preparação e monitoramento apropriado da qualidade da fórmula e o treinamento adequado dos profissionais de saúde ou dos responsáveis pelo cuidado dos pacientes, principalmente quando eles requerem longos períodos de tratamento.

Logo, com tudo isso em mente, é possível estabelecer protocolos efetivos para que todos os cuidados de manuseio da nutrição parenteral sejam traçados e monitorados, independente da condição do paciente.

 

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