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Menor ingestão alimentar e mortalidade intra-hospitalar: qual a relação?

A ingestão insuficiente de nutrientes por pacientes hospitalizados tem sido motivo de preocupação nas últimas décadas. ¹ Nos Estados Unidos, os debates sobre desnutrição têm sido conduzidos pela Avalere Health (empresa de consultoria de negócios em saúde) com múltiplos interessados em defender a nutrição eficaz, incluindo uma ingestão alimentar ideal².

A questão vem sendo levantada, sobretudo, porque estudos3,4 indicam que a ingestão insuficiente de nutrientes em pacientes internados está relacionada a fatores como:

  • Aumento na taxa de infecções;
  • Maior percentual de complicações cardíacas;
  • Maior frequência de readmissões hospitalares;
  • má cicatrização de feridas;
  • Maior risco de morte durante a internação.

 

Consequências da má ingestão alimentar para a mortalidade intra-hospitalar

Cardenas D. et al. avaliaram os dados processados pelo programa Nutrition Day de 2009 a 2015, focando na relação entre a ingestão inadequada de alimentos e a mortalidade e as chances de ter alta hospitalar de acordo com o risco nutricional.

De acordo com os autores, os dados indicaram que a ingestão reduzida de alimentos esteve fortemente associada a resultados ruins para os pacientes, independentemente do risco nutricional.

 

 

Entre os fatores que contribuiriam para a redução da ingestão alimentar durante a internação estão: condições clínicas e físicas dos pacientes, além de qualidade da alimentação hospitalar6,7.

 

 

Como melhorar a ingestão alimentar?

Inicialmente, é preciso assumir que a triagem de risco nutricional é uma etapa fundamental no processo de cuidados nutricionais com o objetivo de promover a ingestão adequada de alimentos e terapia nutricional oportuna. Posteriormente, vale lembrar que existem ferramentas que auxiliam na triagem nutricional. Exemplos delas são: Nutritional Risk Score 2002 (NRS 2002) e The Malnutrition Universal Screening Tool (MUST).

Outra ferramenta importante é a Subjective Global Assesment (SGA), ou Avaliação Subjetiva Global, em tradução livre, divulgada pela American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN)8.

 

Como a SGA atua na promoção da melhor ingestão alimentar e combate à mortalidade?

A ferramenta SGA é conhecida por ser confiável e válida na previsão de morbimortalidade associada à desnutrição. Sendo assim, seu objetivo principal é identificar pacientes que possam se beneficiar de intervenção nutricional. Ou seja, aqueles que apresentem um quadro de ingestão ou absorção inadequadas, o que explicaria a desnutrição e, inclusive, a perda de peso9.

Para isso, a ferramenta baseia-se em características nutricionalmente relevantes da história clínica do paciente8:

  1. Diminuição da ingestão de nutrientes;
  2. Perda de peso não intencional;
  3. Sintomas que afetem a ingestão oral;
  4. Capacidade funcional;
  5. Demanda metabólica;
  6. Exame físico: perda de gordura subcutânea, perda muscular e acúmulo de líquidos.